
Ilustração: Jasiel Botelho
Existe todo tipo de igreja: igrejas “terapêuticas” e igrejas doentes, igrejas que praticam a graça e igrejas legalistas, igrejas castradoras e libertadoras, etc, etc, etc.
Há centenas de livros criticando a igreja. Dependendo do motivo e da igreja, tem que criticar mesmo! (vide Apocalipse 2 e 3)
Mas hoje quero falar do lado bom da igreja. Eu gosto da igreja. Já vivi mais tempo de minha vida dentro da igreja do que fora dela. Quando falo da igreja não me refiro a um prédio, mas a uma comunidade de gente imperfeita e resgatada por Cristo.
Quando me converti, logo fui para uma igreja, pois o NT que eu lia dizia no final que “se você aceitou Jesus como Senhor e Salvador de sua vida, procure uma igreja evangélica”. Fui para a igreja que meu avô freqüentava.
O pastor era tradicional, os sermões eram belas peças de oratória mas com muito pouco conteúdo em termos do que chamaríamos hoje de “exposição bíblica”. Cantávamos hinos que naquele tempo eu não gostava. Foi um choque cultural.
Mesmo assim permaneci naquela igreja. Nela fui acolhido, nutrido, integrado e muita coisa boa aconteceu na minha vida. Até que chegou o dia em que entendi que Deus me queria no Rio Grande do Sul e vim para cá por causa de outra igreja.
Estou há dezoito anos nesta igreja. Há muita coisa boa e muita coisa ruim. Há momentos de alegria e de tristeza. Há momentos de edificação e momentos de escândalo. Mas a igreja é o lugar de Deus para mim.
É somente na vivência com outros cristãos que amadurecemos. A igreja nos ensina a sermos tolerantes e humildes. Aprendemos que os pastores e membros que nos ministram não são lá grande coisa, mas por incrível que pareça, Deus fala comigo quando ouço as pregações ou me reúno em uma célula.
As pessoas com quem convivo são ao mesmo tempo um desafio e uma bênção para mim – e vice-versa. Na convivência aprendemos a nos aceitar, perdoar e aparamos nossas arestas. Quando perseveramos na vivência da comunidade, crescemos. Eu diria que nós só crescemos na experiência humana e dolorosa da comunidade.
Os evangelhos foram escritos para igrejas. Neles lemos como Jesus formou uma comunidade de doze apóstolos e de mais de setenta discípulos que formaram o embrião da igreja primitiva. Jesus mesmo disse: “edificarei a minha igreja, e as portas do Hades não poderão vencê-la” (Mateus 16:18). Cristo é o criador da igreja.
O livro de Atos mostra o nascimento, o sofrimento e a expansão da igreja.
As cartas foram dirigidas a igrejas locais. Mesmo Filemom, que era uma carta pessoal, foi escrita em um contexto de comunidade.
E o Apocalipse? O último livro da Bíblia é, na verdade, um livro-carta dirigido a sete igrejas!
Do começo ao fim o NT nos aponta para a igreja local como a comunidade onde vivenciamos nossa fé em Jesus, que nos desafia, nutre e nos envia para sermos sal e luz no mundo.
Faço minhas as palavras de John Stott: “espero que meus leitores não sejam aquela anomalia grotesca que se constitui um cristão que não pertence a uma igreja”!
Se você não faz parte de uma comunidade de Jesus, procure uma. Se você faz parte de uma, não saia dela, a não ser por motivos razoáveis, depois de consultar pessoas maduras. Em seguida, busque imediatamente outra comunidade.
Não viva sem essa coisa maravilhosa chamada igreja.

