
Releio na biografia de John Stott escrita por Roger Steer que, na despedida do encontro que Stott teve com Madre Teresa em 1981, ela lhe fez o seguinte pedido de oração:
“Ore por nós”, disse Madre Teresa, “para que nós não estraguemos a obra de Deus, e para que esta permaneça sua obra”.
É interessante que esta tenha sido a preocupação desta mulher, reconhecida mundialmente, premiada com o Nobel da Paz. Ela poderia estragar a obra de Deus? Uma mulher reconhecida por todos como uma grande líder, humilde, serva e visionária?
Madre Teresa possuía o discernimento que esmiúça nossa tola presunção de que, debaixo de nossa “sabedoria”, a obra de Deus está segura.
Mas a realidade é que é muito fácil estragarmos a obra de Deus reduzindo-a, por exemplo, a algo que seja um verdadeiro sucesso. Podemos estragar a obra de Deus tornando-a impressionante, popular, grande e bem-sucedida. Podemos estragá-la transformando-a em um meio para nosso nome ser reconhecido. Podemos transformá-la em nossa obra e chamá-la de “obra de Deus”.
Não é que a obra de Deus não deva crescer. A grande questão é: enquanto cresce, ela continuará sendo obra de Deus? Ou se tornará obra de nossa inteligência, de nossa engenharia eclesiástica capaz de conceber grandes projetos e grandes estratégias?
É claro que também podemos estragar a obra de Deus transformando-a em algo medíocre, mal feito. Não estou defendendo a mediocridade.
Quero apenas pontuar que, seja pelo chamado sucesso ou pelo chamado fracasso, podemos fazer com que a obra de Deus deixe de ser sua obra para ser “nossa”. O perigo é sempre esse: nos apossarmos da obra de Deus. É aí que nós a estragamos.




