17/12/2009

Que Não Estraguemos a Obra de Deus e que Esta Permaneça sua Obra


Releio na biografia de John Stott escrita por Roger Steer que, na despedida do encontro que Stott teve com Madre Teresa em 1981, ela lhe fez o seguinte pedido de oração:

“Ore por nós”, disse Madre Teresa, “para que nós não estraguemos a obra de Deus, e para que esta permaneça sua obra”.

É interessante que esta tenha sido a preocupação desta mulher, reconhecida mundialmente, premiada com o Nobel da Paz. Ela poderia estragar a obra de Deus? Uma mulher reconhecida por todos como uma grande líder, humilde, serva e visionária?

Madre Teresa possuía o discernimento que esmiúça nossa tola presunção de que, debaixo de nossa “sabedoria”, a obra de Deus está segura.

Mas a realidade é que é muito fácil estragarmos a obra de Deus reduzindo-a, por exemplo, a algo que seja um verdadeiro sucesso. Podemos estragar a obra de Deus tornando-a impressionante, popular, grande e bem-sucedida. Podemos estragá-la transformando-a em um meio para nosso nome ser reconhecido. Podemos transformá-la em nossa obra e chamá-la de “obra de Deus”.

Não é que a obra de Deus não deva crescer. A grande questão é: enquanto cresce, ela continuará sendo obra de Deus? Ou se tornará obra de nossa inteligência, de nossa engenharia eclesiástica capaz de conceber grandes projetos e grandes estratégias?

É claro que também podemos estragar a obra de Deus transformando-a em algo medíocre, mal feito. Não estou defendendo a mediocridade.

Quero apenas pontuar que, seja pelo chamado sucesso ou pelo chamado fracasso, podemos fazer com que a obra de Deus deixe de ser sua obra para ser “nossa”. O perigo é sempre esse: nos apossarmos da obra de Deus. É aí que nós a estragamos.

07/12/2009

Deus me Fez um Leitor



Lembro sem ressentimentos de uma pessoa que certa vez me definiu como alguém solitário, que desfrutava apenas da amizade dos livros. A pessoa me pediu perdão depois de algum tempo. O assunto em questão era o valor dos relacionamentos e essa pessoa quis usar minha “amizade” com os livros para provar seu argumento sobre a minha solidão.

Passados vários anos, chego à conclusão de que não sou tão solitário e de que sou de fato amigo dos livros. Por favor não entenda minha declaração como uma tentativa de afirmar qualquer suposta “intelectualidade” de minha parte. Meu objetivo aqui é apenas dizer que gosto dos livros e do bem que eles me fazem.

Gosto do Eugene Peterson porque ele vive dizendo (ou melhor, escrevendo) coisas do tipo “hoje tomei café da manhã com Dostoiévisk” ou “estou batendo um papo com Agostinho de Hipona”. Peterson compara os comentários bíblicos (que adoro ler) às conversas com amigos depois de um jogo de futebol, em que se comenta a performance dos times. No caso, o comentário é sobre qual seria o significado do texto bíblico, o prazer de ouvir a opinião de pessoas igualmente apaixonadas pelo texto, sobre qual seria o sentido mais próximo do original.

A sensação que tenho ao ler é muitas vezes a de estar batendo papo com os autores. Sinto que a leitura não me faz solitário, pelo contrário. Por meio da leitura tornei-me amigo de Henri Nouwen, Fernando Sabino, Philip Yancey, do próprio Eugene Peterson e tantos outros... a lista seria enorme. O tempo que gasto com a leitura também revigora minhas forças para estar novamente com as pessoas de carne e osso.

Deus me fez um leitor e isso não me faz nem um pouco melhor do que um esportista ou um jardineiro. É uma característica. Vejo que até Ele se diverte com isso. Em alguns momentos importantes da minha vida Ele quase literalmente colocou em minhas mãos algo que eu precisava ler e que me ajudou imensamente.

Certa vez vi no site da All Souls um livro novo de John Stott que eu queria muito ler. Mas era recém-lançado na Inglaterra e não estava disponível no Brasil. Uma ou duas semanas depois o livro chegava pelo correio, sem eu saber, como presente enviado por amigos. Coincidência? Eu creio que foi o carinho dos amigos e do próprio Deus.

21/11/2009

O Pacto de Lausanne



INTRODUÇÃO

Nós, membros da Igreja de Jesus Cristo, procedentes de mais de 150 nações, participantes do Congresso Internacional de Evangelização Mundial, em Lausanne, louvamos a Deus por sua grande salvação, e regozijamo-nos com a comunhão que, por graça dele mesmo, podemos ter com ele e uns com os outros. Estamos profundamente tocados pelo que Deus vem fazendo em nossos dias, movidos ao arrependimento por nossos fracassos e desafiados pela tarefa inacabada da evangelização. Acreditamos que o evangelho são as boas novas de Deus para todo o mundo, e por sua graça, decidimo-nos a obedecer ao mandamento de Cristo de proclamá-lo a toda a humanidade e fazer discípulos de todas as nações. Desejamos, portanto, reafirmar a nossa fé e a nossa resolução, e tornar público o nosso pacto.

Leia o restante do texto aqui.

14/11/2009

Martin Lloyd-Jones (1899-1981)



"Lloyd-Jones had no formal theological training, but read widely, especially on the Puritans, and kept himself up to date on current affairs. His preaching was what is known as expository, drawing out the meanings of every phrase in passages of Scriptures in his sermons and attempting to apply them to his congregation. For this he had a large and loyal following"

Roger Steer, Inside Story, p.130 (IVP)